Tanto apoquentaram o pobre Belchior que conseguiram tirar o sossego dele. Fizeram um escarcéu danado com esse caso. Aliás, tentaram criar uma história de fuga e desaparecimento que nunca aconteceu. Como o cantor poderia estar “sumido” indo a programa de televisão (Jô Soares), participando de eventos e shows (como o do Tom Zé) e não se importando em ser fotografado ao lado de fãs mesmo no Uruguai?
A equipe de reportagem do “Fantástico” entrou na contramão dos fatos. Se ateve a uma declaração do advogado da ex-mulher de Belchior. Lógico que se há uma pendenga jurídica entre eles, alguém vai chiar. E foi ela, através do defensor contratado. Centrado, inteligentíssimo e educado como sempre, Belchior deu fino tapa com luva de pelica nos intrometidos. Disse, com todas as letras, que deixassem sua vida particular em paz.
Muito bom revê-lo com aspecto saudável, bochechas rosadas, sorriso tímido e aquele bigodão inconfundível – fisicamente, sua marca registrada. Lá, incrustado numa pousada uruguaia, lago ao fundo, Belchior compõe, traduz sua genial obra para outras línguas, saboreia um vinho... Se deixou carro, apartamento e gente chata pra trás, deixa também uma pontinha de inveja. Afinal, quem não teve, uma vez na vida, vontade de fazer o mesmo? Salve Belchior!
“Eu sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior. Mas trago na cabeça uma canção do rádio onde um antigo compositor baiano me dizia: tudo é divino, tudo é maravilhoso. Tenho ouvido muitos discos, conversado com pessoas, caminhado meu caminho. Papo. Som dentro da noite. E não tenho um amigo sequer que ainda não acredite nisso, não. Tudo muda. E com toda razão. Mas sei que tudo é proibido. Aliás, aliás, eu queria dizer que tudo é permitido”.
(Trecho de “Apenas um rapaz latino-americano” / Belchior)
Sul Americana e Libertadores
Há 7 horas